17 • fev • 2017

♥ Processo Criativo ♥

Oie pessoal! E não é que chegou a hora de compartilhar com vocês algo que muita gente vêm me perguntando ao longo dos anos: meu processo criativo. Como artista eu desenvolvi, o meu próprio fluxo criativo. Na verdade eu não sabia que seguia esses passos até sentar para desenvolver este post. Interessante, né? Nem como artista nós temos o hábito de pensar muito sobre o como funciona o processo. No começo você não sabe ao certo o que está fazendo, mas logo encontra um ritmo e um ‘jeitinho’ de fazer as coisas e tudo começa a fluir. Na verdade, todo o processo (seja ele físico ou intelectual) segue um passo a passo, como um algoritmo. Lembrando que tudo que eu vou escrever aqui é a partir da minha perspectiva, que é subjetiva. Eu acredito que seja importante seguir algum tipo de fluxo, para que você organize o seu processo criativo e mais importante que isso, conclua ele. Eu acredito que muitos que estão lendo saibam o que quero dizer quando me refiro à importância de concluir um processo criativo. É muito fácil se perder no ato de criar e passear pelo fluxo em um eterno loop. Esse fluxo pode variar de pessoa pra pessoa e de área criativa pra área criativa, mas eu acredito que pode ser um guia para aqueles que querem começar suas carreiras criativas ou pra quem já está atuando e quer uma ajudinha. Então vamos lá!

Vou dividir este post em três partes: MEU PROCESSO CRIATIVO, EXEMPLOS e PERGUNTAS/RESPOSTAS.

MEU PROCESSO CRIATIVO:

Antes de começar, pra quem ainda não me conhece, eu sou a Andrea Loyola da lily&puka. Sou ilustradora e designer gráfica desde 2010. Digo isso pra vocês verem como o fluxo criativo reflete a minha área de atuação.

Como muitos artistas eu me comunico melhor com imagens do que palavras, por isso eu ilustrei (de forma fofa e divertida) como funciona o meu Fluxo Criativo e logo em seguida vou explicar o processo, tá?

1. Idéia

Todo início de processo é marcado por uma idéia. Não precisa ser uma idéia completa, pode ser o ‘i’ da palavra ‘idéia’, mas tem que ser o suficiente pra te motivar a querer desenvolvê-la.

2. Share/Compartilhe

Nada como compartilhar uma deliciosa pizza (vegana no meu caso) com amigos e família. A pizza nesse caso simboliza de forma muito deliciosa a sua idéia. Eu gosto de compartilhar a minha idéia de duas formas: pública (com os seguidores da lily&puka) e/ou particular (com determinadas pessoas da minha família ou amigos próximos). Gosto de receber o feedback das pessoas que curtem a marca pra ver se a idéia que eu tive pode estar ligada à algo que elas estejam querendo ou procurando. Quando compartilho com pessoas próximas de mim quero que o fato delas me conhecerem entre em consideração na hora delas entenderem a minha idéia. Depois de compartilhar e se eu ainda sentir vontade de me dedicar à essa idéia eu acesso a minha super caixa de referências para desenvolvê-la.

3. Referências

Nessa etapa você vai acessar um monte de informação dentro da sua caixa. Você vai acessar o seu banco de dados visuais/biblioteca de imagens. Esses podem ser compostos por tudo que você vê na natureza, alguma imagem que te marcou, uma roupa, uma textura, uma ilustração de um artista que você admira, uma tipografia incrível, enfim estamos constantemente captando novas imagens no nosso dia-a-dia. Nesse banco de dados eu também incluo todo o material que já criei ao longo da minha carreira criativa, já que eu vou usar como referência tudo que desenhei e criei ao longo dos anos. No começa da minha vida como artista eu não tinha esse material na minha caixa. Eu criei esse material ao longo dos anos e hoje ele compõe as minhas referências. O que eu percebi é que a minha caixa, nos último 4 anos, tem ficado mais cheia de referências de projetos que já desenvolvi e dos elementos que me rodeiam na natureza do que dos outros tipos de referências que citei acima. Isso se deve ao fato de eu já ter definido o meu estilo artístico. Quando você chega nessa etapa você evita usar como referência o trabalho de outros artistas, para evitar influências diretas e óbvias.

As memórias afetivas são muito importantes e fazem parte da essência de cada pessoa. É tudo aquilo que marcou um momento da sua vida, um marco de amor. No meu caso, eu tenho muitas lembranças lindas da minha infância enquanto morava nos Estados Unidos. Muitos docinhos (hahahaha), muitos passeios de bicicleta, muito basquete e baseball e minha coleção infinita de bonecos (sempre fui apaixonada por toy art)! Conheci a Disney quando tinha apenas 6 anos de idade! Isso foi um marco importante pra mim. Tenho lembranças de quando era pequena e ficava em casa durante a semana (não gostava muito da escola) eu adorava assistir filmes antigos em preto e branco e amava assistir às aulas de pintura à óleo com o Bob Ross (eu acho que não tem muita gente que conhece ele, né?). Enfim, memórias afetivas são as lembranças que você guardou com muito carinho ao longo dos anos. A primeira pintura grande que eu fiz foi uma pintura de 2013 que representa muito a minha essência, pela cor rosa (que eu AMO), pelos doces, pelo cabelo colorido e pela presença de unicórnios inspirados nos personagens do My Little Pony dos anos 80 e 90. Essa é a parte que deixa a sua criação com a sua cara!

Por fim, você tem as suas influências e inspirações, ou seja, artistas e designers que você admira. Aqueles cujo trabalho te tocaram de alguma forma. Eu tenho uma lista grande, porém seletiva de artistas que influenciaram o meu trabalho e que continuam me inspirando até hoje. Ás vezes é a técnica de pintura, outras vezes as cores que usam, pode ser até o traço do artista, a temática ou o conjunto da obra. Na minha lista incluo pessoas fortes e determinadas que admiro de outras áreas também. Não precisa ser somente artista. É importante se rodear de pessoas que te inspiram e possam te influenciar, contanto que não seja óbvio e literal, como já tinha mencionado antes.

Nesse ponto você já conseguiu desenvolver a sua idéia e nesse momento, normalmente, você começa a questionar algumas coisas. Daí surgem as dúvidas.

4. Dúvidas

O artista deve se dividir em dois: o criativo livre de qualquer restrição e o crítico que vai avaliar o trabalho sem vínculo emocional. Essa dualidade é normal e extremamente complicada. Depois de desenvolver uma idéia é importante olhar pra ela de forma prática e crítica. A dificuldade de fazer isso é que a idéia foi desenvolvida com todo o carinho e com todo o teor emocional que foi exigido e agora você vai precisar desmanchar ela pra ver quais partes vão funcionar e quais não vão. É uma etapa difícil, porém importantíssima. Não fique desanimado se você chegar nesse ponto e o seu lado crítico determinar que você deve começar de novo. Caso as dúvidas sejam pequenas e seja possível reformatar a idéia sem começar de novo, persista e continue em frente. O importante é nunca desistir!

5. Projeto

Agora vem a parte de descrever o projeto a partir da sua idéia. Aqui você vai incluir TODOS os elementos, não só a parte criativa (os desenhos, esboços), mas tudo que vai torná-lo real (orçamentos, fornecedores, prazos, material gráfico, distribuição). Nessa etapa eu costumo imaginar que o projeto vai ser algo super organizado e sucinto (esse é o tal do projeto idealizado), mas na verdade é uma confusão, uma sobreposição de elementos (essa é a versão real do projeto). Às vezes fica difícil de ver o seu projeto sair do papel, mas tem que persistir. Se depois de desenvolver a idéia, escrever o projeto, você ver que ele ainda é viável, esse é o momento de clareza.

6. Clareza

Nesse exato momento se você se esforçar você consegue até escutar o canto dos anjos…hahaha…aquele canto famoso que vemos em filmes americanos quando alguém tem uma epifania (um súbito entendimento ou compreensão de algo), pois é! É uma sensação incrível. Pra mim é quase que uma sensação de ver um unicórnio, é mágico!

7. Referências

Depois do projeto elaborado e de ver tudo com clareza, você agora tem um conhecimento ampliado e pode ver a sua idéia inicial de uma forma diferente. Por isso é importante voltar para as suas referências e alterar o que for preciso e ajustar todos os detalhes.

8. THE END/FIM

Aqui se concluí o processo criativo dessa idéia. Agora é só colocar ela em prática e começar tudo de novo com uma nova idéia.

Nem todo processo criativo tem essa fluidez. Às vezes eu me deparo com excesso de criatividade ou até mesmo bloqueio criativo, os dois extremos da balança. O excesso de criatividade não me permite sair da terceira etapa desse fluxo. Eu fico em um loop eterno entre [idéia -> share ->referências ->idéia -> share ->referências] e não saio daqui. Quando me acontece isso, eu sei que eu tenho que começar de novo, com uma idéia nova. Persistência é a solução nesse caso. Quando eu sofro com algum bloqueio criativo, eu sei que eu tenho que mudar de atividade. Então se estou pintando eu paro e vou trabalhar em algum design de broche, patch ou pin e vice versa. O que funciona pra mim também é fazer crochê, criar um amigurumi. E quando nada disso funciona, desenhar é a solução. Desenhe tudo e qualquer coisa! Eu sempre estou com um caderninho e uma caneta na minha bolsa. Se forçar a seguir em frente apesar do bloqueio criativo, é importante.

EXEMPLOS:

Aqui eu vou mostrar exemplos de algumas idéias que precisaram sofrer alguma alteração na hora de efetivamente colocar o projeto em prática. Em 2016 eu tive a idéia de lançar uma linha de pins em metal com ilustrações exclusivas da lily&puka. Inclusive compartilhei a idéia aqui no Blog da lily&puka com vocês. Eu coloquei o projeto em prática, mas alguns dos designs tiveram que ser modificados, pois a versão final da arte não era compatível com o equipamento/tecnologia do meu fornecedor. Na época foi algo muito complicado de se ouvir e depois de muito conversar com o meu fornecedor chegamos em um meio termo. No final das contas as alterações foram mínimas, mas a experiência me capacitou para ser um boa designer de pins. Hoje eu sei como o desenho precisa ser para o pin ficar bom. Eu fiquei conheçendo o processo de produção e devo admitir que é bem incrível e bem artesanal!

E pra quem curtiu os pins, eles estão na minha lojinha virtual junto com um monte de outras fofuras! ♥

 

PERGUNTAS/RESPOSTAS:

Aqui eu vou listar algumas das principais e mais frequentes perguntas que me fizeram:

P: Como você lida com bloqueio criativo?

R: Eu acabei respondendo essa pergunta no texto do próprio post! Rs Eu espero que tenha ajudado!

P: Quais são, atualmente, suas principais fontes de inspiração preferidas?

R: A minha principal fonte de inspiração é a Natureza. Para desenhar uma caricatura de um animal você precisa saber as proporções do animal de verdade, o mesmo vale para o ser humano. Tenho uma coleção de enciclopédias do reina animal, livros de botânica e livros de anatomia humana que uso como referência sempre. Comprei todos no Sebo do Messias em São Paulo e adoro! Além da natureza eu adoro seguir o trabalho de artistas que admiro como Mark Ryden, Marion Peck, Shardula (a.k.a. Mall), Kristian Adam, Caia Koopman, Tara McPherson, Brandi Milne, Mab Graves, Audrey Kawasaki, DabsMyla, Laura ColorsCamilla d’Errico, Bel’s Art World, Joey Stupor, entre alguns outros. Adoro e sigo o trabalho de alguns animadores da Disney e do Studio Ghibli. E como fonte de imagens eu gosto do Instagram, lá eu encontro fotos interessantes e a partir delas descubro blogs muito lindos. E livros, adoro livros, principalmente livros ilustrados. Pode ser livro de contos de fada para o público adulto ou pode ser livros infantis mesmo. Existem livros infantis que são lindamente ilustrados.

P: O que faz quando o projeto não sai como o planejado?

R: Eu não costumo me desesperar quando o projeto não sai como o planejado. Às vezes não sai como o planejado e fica melhor e às vezes não fica legal então eu começo de novo. Não pode ter medo de começar de novo. De vez em quando jogar uma idéia no lixo é a melhor solução.

P: Qual é a atividade ou ‘coisa’ que mais estimula a sua criatividade?

R: O ato de criar estimula a minha criatividade. Quando mencionei no texto lá encima a importância de sempre ter um caderninho em mãos se aplica para essa pergunta. O ato de desenhar, pintar, escrever qualquer coisa (não precisa ter uma finalidade) acaba estimulando a produção da energia criativa que alimenta as turbinas da engenhoca que é a minha cabeça. Experimentar novos materiais artísticos também estimula, e muito, a minha criatividade.

Se vocês tiverem mais perguntas, pode deixar aqui nos comentários que vou respondendo, tá?

Eu espero que todos tenham gostado desse post e que possa ajudar vocês de alguma forma. Ele foi desenvolvido com muito carinho!

Eu agora tenho uma pergunta pra vocês: O que estimula a criatividade de vocês?



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2 Respostas para "♥ Processo Criativo ♥"

Liana - 07 Março 2017 às 03:29

Andreia que post maravilhoso! Muito obrigada por compartilhar suas dicas! Pra mim a melhor forma de ter ideias é escrevendo. Sempre carrego um caderninho comigo pra não correr o risco de deixar uma boa ideia passar esquecida! Ameeeeei a ilustração!

Responder


Andrea Loyola Andrea Loyola
Março 7th, 2017 em 4:12 am
respondeu:

Oie Liana querida! O meu coração se encheu de alegria ao saber que você curtiu o post!! Eba!!! Obrigada, viu! Eu devo admitir que me diverti muito fazendo essa ilustração e eu acabei usando um material que não usava há anos, o gouache e adorei. Um caderninho em mãos é sempre uma boa pedida, né? Se não anotar a idéia fica perdida na cachola e se ficar perdida na cabeça eu acho que nunca mais resgato…hahaha

Beijos! =ˆ•.•ˆ=

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